4 vagas reais de TI que ajudam a ler o mercado em junho: dados, SRE, Go e QA com IA

Se você está tentando entender onde ainda existe contratação séria em TI, olhar só para discurso de LinkedIn ajuda pouco. O recorte mais honesto continua sendo o das páginas públicas de vaga.

Nesta rodada, li quatro vagas completas e o padrão apareceu rápido: empresas ainda abrem processo quando a posição encosta em responsabilidade real, stack prática e alguma combinação de dados, infraestrutura, backend mais pesado ou QA com automação forte. IA também aparece, mas não como enfeite de headline. Em duas das vagas, ela já entrou como exigência operacional.

Antes de entrar uma por uma, vale o resumo do que esta leva mostra:

  • dados continuam fortes quando a vaga mistura entrega para negócio com base técnica de verdade;
  • plataforma/SRE segue quente para quem já operou incidente, Kubernetes e custo cloud no mundo real;
  • backend sênior ainda paga pela dor de migração e arquitetura, não só por CRUD genérico;
  • QA com IA saiu do discurso e começou a virar recorte explícito de contratação.

1) engenheiro de dados pleno na IT Accept

Aqui o sinal mais claro é outro: mesmo com o mercado mais seletivo, continua existindo espaço para quem consegue unir engenharia de dados, SQL, Power BI e contato com áreas de negócio.

  • Empresa: IT Accept
  • Cargo: Engenheiro de Dados Pleno
  • Senioridade: pleno
  • Modalidade: híbrido
  • Localização: Pinheiros, São Paulo (3x por semana)
  • Contratação: contractor
  • Faixa salarial: não informada na página
  • Link de inscrição: GeekHunter / IT Accept

A descrição fala em processo de ELT, tratamento de dados para BI, governança básica da base e interlocução com áreas internas que pedem dashboards. Também pesa o requisito de inglês e português fluentes, o que empurra a vaga para um perfil menos júnior do que o título sozinho sugere.

O recado aqui é simples: ainda tem espaço para vaga de dados que não pede só modelagem bonita em abstrato. Pedem entrega, leitura de negócio e capacidade de organizar dado para consumo real.

2) especialista de SRE na Seazone

Se a sua praia é plataforma, essa é uma das vagas mais honestas da rodada porque ela deixa bem explícito o tamanho da responsabilidade.

  • Empresa: Seazone
  • Cargo: Especialista de SRE
  • Senioridade: sênior/especialista
  • Modalidade: remoto
  • Localização: Brasil
  • Contratação: PJ
  • Faixa salarial: não informada na página
  • Link de inscrição: GeekHunter / Seazone

A página cita operação de dois clusters Kubernetes (EKS na AWS e GKE no GCP), GitOps com ArgoCD, observabilidade com Prometheus/Grafana/Loki, FinOps e até sustentação de uma plataforma interna de IA. O ponto mais marcante é que a vaga não vende conforto: fala em incidente, troubleshooting, post-mortem e autonomia alta.

Também chama atenção o fato de a empresa exigir uso de IA no dia a dia “sem exceção”. Isso ajuda a separar duas coisas. Uma é hype. Outra é quando a empresa já decidiu que IA virou parte do fluxo operacional de quem mexe com plataforma.

3) especialista em desenvolvimento Golang no Bling/Locaweb

Essa vaga é útil porque mostra um tipo de contratação que continua aparecendo quando a empresa está no meio de uma mudança mais séria de arquitetura.

  • Empresa: Bling / ecossistema Locaweb
  • Cargo: Especialista em Desenvolvimento Golang
  • Senioridade: sênior/especialista
  • Modalidade: remoto
  • Localização: Brasil
  • Contratação: CLT
  • Faixa salarial: não informada na página
  • Link de inscrição: GeekHunter / Bling

O texto da vaga deixa claro que a empresa está lidando com migração gradual de PHP para Golang, foco em microsserviços, mensageria, escalabilidade e arquitetura distribuída. Não é vaga para “programar em Go” isoladamente. É vaga para ajudar a empurrar uma transição estrutural.

Outro detalhe importante: a página cita desde DDD, code review e observabilidade até uso de ferramentas de IA no ciclo de desenvolvimento. Ou seja, o mercado continua premiando backend pesado quando ele vem junto com contexto de arquitetura e mudança organizacional real.

4) analista de QA sênior com foco em IA na Mptec

Se alguém ainda tratava IA em QA como detalhe, esta vaga mostra que esse recorte começou a ganhar nome próprio.

  • Empresa: Mptec
  • Cargo: Analista de QA Sênior – Especialista em IA
  • Senioridade: sênior
  • Modalidade: remoto
  • Localização: Brasil
  • Contratação: contractor
  • Faixa salarial: não informada na página
  • Link de inscrição: GeekHunter / Mptec

A vaga pede automação com Python, Selenium e/ou Playwright, testes de APIs REST e GraphQL, práticas de CI/CD e uso explícito de IA para geração de casos de teste, massa de dados, apoio à automação e análise de cenários.

O detalhe que importa aqui é o framing. Não é “QA que pode usar IA se quiser”. É QA sênior cuja proposta já nasce com IA embutida no trabalho. Isso sugere uma mudança relevante: times de qualidade começam a ser cobrados não só por automação clássica, mas por saber acelerar cobertura e manutenção com ferramentas novas sem perder critério.

o que esse recorte diz sobre o mercado agora

Estas quatro vagas não contam a história inteira do mercado, mas contam uma parte importante dela.

Primeiro: vaga boa continua aparecendo quando a empresa consegue descrever uma dor concreta. Cluster em produção, ELT para BI, migração de arquitetura, automação de testes com IA. Nada aqui depende de buzzword vazia.

Segundo: senioridade virou filtro mais duro. Mesmo a vaga de dados, que é a menos “pesada” do grupo, já pede fluência bilíngue e entrega prática. As outras três estão claramente ancoradas em autonomia real.

Terceiro: IA está deixando de ser adorno e virando requisito de fluxo. Na Seazone, isso aparece no dia a dia de plataforma. Na Mptec, aparece na forma como o QA deve trabalhar. No Bling, entra como parte do ciclo de desenvolvimento e automação.

Para quem está procurando vaga, a leitura prática é esta: ainda faz diferença mirar processos em que a empresa consegue explicar exatamente onde dói o problema. Quando a descrição é específica, a vaga costuma dizer muito mais sobre o mercado do que qualquer post genérico dizendo que “a TI morreu” ou “a TI bombou”.

fontes

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